terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Capitulo 1



E faltando menos de 10 minutos para o ônibus sair, entra um guri, como seus 16/17 anos. Não era o mais bonito, mas pra feio com certeza não servia. Ele veio caminhando em direção a mim, sorrindo - aí o sorriso mais encantador que tinha visto. E do nada quando percebi esta sorrindo, que nem uma boba, de volta. Ele parou do lado do meu banco e colocou sua mochila no bagajeiro a cima e sentou-se ao meu lado ainda sorrindo e disse “Pelo jeito tu vai ter que me aguentar nas próximas 6 horas né?” e riu. Eu já toda envergonhada, não sabia o que dizer, mas tinha que falar algo, falei o que me veio a cabeça na hora “Ah, se tu for chato demais quando o onibus for esvaziando eu fujo de ti.” e sorri.
Ele tinha os olhos mais lindos que já havia visto. Me perdi como num mar enorme e me deixei levar. Nisso o ônibus começou a andar e meio que sem querer perguntei “Está indo pra onde?” parei e antes dele poder responder soltei “Ai que boba né, me expressei mal, quiz dizer, ah se tu ia ficar pra onde vamos mesmo ou se ia para praia vizinhas ali perto, entende? e sorri envergonhada. Ele todo gentil “Que isso, boba nada, Eu vou pra Ibiraquera e tu?!”. Assim que ele falou o nome da praia, meu coração deu um pulo que acho que até ele ouviu. Eu respondi toda feliz “Eu também. Quem sabe além dessas 6 horas que vamos passar aqui, agente não se vê por lá tambem né?” e ele respondeu de imediato “Seria ótimo. Tomara que te veja de novo depois daqui.” Abri um sorriso tão grande que não sei como coube no meu rosto.
Conversamos mais um pouco, ele me contou que morava na mesma cidade que eu, mas em um bairro bem afastado; que tinha ido pro 3º ano do ensino médio e o colégio que estudava e me contou várias coisas sobre ele e me fez várias perguntas sobre mim também. Nem vimos o tempo passar, e já tinha se passado quase 2 horas de viagem e parecia que nos conheciamos a vida inteira. Começou a chover e o motorista começou a dirigir mais divagar, mas eu nem me importaria de atrasar minha chegada né. Nesse momento paramos de conversar e ficamos olhando a chuva. Como estavamos em silêncio coloquei os fones e continuei olhando a chuva cair. Ai sinto alguém me cutucar o no ombro e me viro “Ai, desculpa, tá muito alto? Você quer dormir?” olhei sem graça. E ele “Não, não está me atrapalhando queria te perguntar se eu poderia ouvir seu mp3 contigo, o meu acabou a bateria?” ele me olhou sorrindo. Ai, tinha como dizer não?! Eu olhei e sorri “Claro. Não sei se tu irá gostar, tô ouvindo Cidadão Quem.” e lhe dei o fone. Ele “Sério? Adoro Cidadão Quem.” sorrindo chegou mais perto de mim.
Passamos assim uma meia hora, quando ele me viu toda encolhida, por causa do frio do ar condicionado e colocou o casaco que tinha dentro da mochila sobre mim. Ele achou que eu estava dormindo e pediu desculpas por ter me acordado. Eu lhe disse que não estava dormindo, estava apenas pensando. E ele então virou pra mim e perguntou “Então, o que se passa nessa cabecinha?”. E eu mesmo sem ter certeza respondi “Tava pensando como tudo hoje está sendo como num filme. Parece que amanhã quando eu acorda não vai ter passado de um sonho.” Ele riu, senti que tinha falado algo errado, mas logo tive certeza que não, ele me olhou e disse “Amanhã quando tu acorda, tu vai ter certeza de que não foi um sonho, pois amanhã tu vai acorda com uma surpresa.” e aqueles olhos me deixaram totalmente perdida. Eu só consegui sorrir. Ele mudou então de assunto rápido dizendo “Ai estou morrendo de fome.” e eu “Bá, leu meus pensamentos, estou quase azul de fome” e sorri. Então desligamos a música e começamos a comer e conversar, conversar e conversar. Nunca acabava o assunto.
Falamos sobre nossos sonhos, nossos amores passados - e coitado sofreu um bocado no ano que passara - nossas vidas, nossas expectativas, nossa família e nossos amigos. Acho que o conhecia como a palma de minha mão já. E ele o mesmo. Então quando já estavámos quase chegando ele olhou nos meus olhos e começou a falar “Não quero que isso passe, não quero que tudo isso que vivemos hoje fique na memoria. Quero te ver amanhã, quero te ver o resto do ano, tu já é parte da minha vida. Sabe mais de mim do que muitos amigos meus de infância. E quando agente encontra pessoas assim, não podemos deixar elas irem embora. E não posso te deixar ir. Promete que não vamos perder contato? Começando agora, me passe teu número, todos e teu msn.” sorrindo. E eu parada que nem um boba olhando pra ele “Claro, eu não me perdoaria se ti deixasse sair assim da minha vida. Não pode. Não seria nada justo. E o senhorito também, me passe todos seus meios de contato, pra caso né você não me procure no dia seguinte.” eu disse rindo. E ai eu e ele passamos tudo que poderiámos para não perdemos contato. E além disso ele fez questão de tirar uma foto comigo ele disse que precisava olhar pra mim todos os dias, para o seu dia ficar melhor. Ai né, já estava toda derretida.
Cada vez mais o ônibus se aproximava e cada vez eu ficava mais triste. E se nunca mais eu o visse? Não queria isso, não poderia viver assim. Eu precisava dele. Então com o medo me dominando eu falei sem pensar “Olha, eu vou ficar com seu casaco, se eu puder, não vou te deixar passando frio né? haha E aí vou ter certeza que vou ter ver de novo, porque um dia tu vai ter que vir busca-lo comigo, não é?! O que achas, uma boa oportunidade pra nos vermos.” E ele sem nem pensar “Pode ficar com ele. Ai tenho uma desculpa pra te ver de novo. Apesar que com ou sem desculpa eu vou querer te ver de novo.” E nesse momento o ônibus estacionou. Parecia que o mundo tinha voltado a andar. Porque o meu mundo tinha parado no exato momento que ele entrou no ônibus sorrindo.
Nós então descemos juntos, de mãos dadas. Lá estava minha dinda a me esperar e sem entender nada ficou me olhando de longe. Eu “Então né, acho que isso é um até logo, porque adeus eu não vou te dar. Porque sei que vamos nos ver em breve. Eu preciso ir, minha dinda já tá me esperando ali.” e apontei na direção dela. Ele então me abraçou forte, tão forte que eu pude sentir o coração dele batendo e ele o meu. Minhas pernas então começaram a tremer e meu olhos a se encher de lágrimas. E quando o olhei de novo, caiu uma lágrima do seu olho. E ele disse “Eu também não vou te dar um adeus, e sim um até breve. Eu já me sinto incompleto sem você aqui.” E me abraçou de novo mais forte ainda e me deu um beijo na testa, nós dois chorando lá como duas crianças. Quando ele me solto eu fui sem olhar pra trás ou tentei, porque no meio do caminho eu olhei pra ele e ele se virou pra mim no mesmo instante, eu sorri pra ele e le mandei um beijo e ele fez que segurou o beijo e colocou a mão no coração com se estivesse guardando ele lá. Eu fiz o mesmo. E então nos viramos e seguimos.
Num instante depois recebi uma mensagem dizendo “Contigo eu aprendi sem a gramatica que saudade não tem tradução. Já estou com saudades. Beijo no coração.”

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